quinta-feira, 26 de maio de 2016

Crítica: "X-Men: Apocalipse"

X-Men: Apocalipse
(X-Men: Apocalypse)
Ação/Aventura
Data de Estreia no Brasil: 19/05/2016
Direção: Bryan Singer
Distribuidora: Fox Filmes

Já faz uma semana desde a sua estréia e “X-men: Apocalipse” vem dividindo as platéias do mundo todo. Há quem diga que o filme peca e muito em sua obviedade, com um roteiro cheio de furos em relação a toda a série de filmes dos mutantes. Há também quem diga que, de uma forma ou de outra, “X-men” cumpre bem seu papel, sendo um ótimo filme de ação que usa de questões e dramas sociais para dar maior profundidade e relevância a sua história (algo que é marca registrada tanto dos quadrinhos quanto da grande maioria de seus filmes). Dessa forma, eu afirmo que apenas ambos os lados estão certos e cegos ao mesmo tempo, pois esta obra de Bryan Singer é justamente a junção tanto destas qualidades e defeitos.
Deve-se levar em conta as cenas de alívio cômico certeiras e sequências de ação bem orquestradas que se saltam a tela de tempos em tempos, não soando confusas já que Singer é hábil ao estabelecer sempre a proporção geográfica dos acontecimentos. Por outro lado, também não se pode negar que determinadas falas e sequencias do filme soam repetitivas (“Falsos Deuses” é dita pelo menos umas 4 vezes), diluindo muito a narrativa que ainda conta com momentos que soam extremamente bregas e deslocados.
Talvez o maior exemplo de tudo isso seja a ameaça a ser combatida, Apocalipse. Considerado o primeiro mutante o qual, durante o Egito antigo, governava e era idolatrado como um Deus vivo, este acorda nos dias atuais e se vê não só deslocado no mundo, mas sim substituído em sua idolatria por figuras pops e armas nucleares, decidindo eliminar a raça humana para a ascensão apenas dos considerados merecedores, os mutantes. Já de cara o maior acerto quanto a figura do personagem é não só demonstrar sua ânsia de poder e de ser adorado, mas também exemplificar como instituições políticas (igrejas e líderes de estados nacionais, por exemplo) tomaram o lugar que o mutante julga ser seu.
Interpretado pelo sempre brilhante Oscar Isaac, Apocalipse possui grandes poderes e um plano bem definido, mas não há qualquer desenvolvimento de sua personalidade por parte do roteiro, já que este o desenvolve literalmente com a personalidade dual de um Deus que ama quem lhe obedece e odeia quem o desafia – mesmo que suas leis sejam dúbias, distorcidas e apropriadas de forma absurda por seguidores cegos... Mas divago. Outro grande acerto do filme é conseguir trazer qualquer grau de complexidade maior para os dilemas daqueles que são as figuras principais desta nova trilogia: Magneto, Professor Xavier e Mística (Fassbender, McAvoy e Lawrence, respectivamente).
Enquanto Mística lida com as repercussões midiáticas dos acontecimentos retratados no capítulo anterior (que se passa 10 anos antes deste), Professor Xavier continua surpreendendo com sua persona bem humorada, ainda que claramente mais maduro e com um ar de segurança e empatia que remetem e muito ao interpretado por Patrick Stwart. Mas é mesmo Michael Fassbender que protagoniza os melhores momentos de potencial dramático e praticamente rouba o filme com a complexidade de Magneto, um personagem que foge de qualquer estereótipo de vilão ou de herói.
Sendo assim, por mais que Jean Grey, Ciclope e Noturno possuam boas introduções de personagem e que o Mercúrio seja protagonista novamente da melhor sequencia de ação do filme, personagens como o Anjo, Tempestade e Psylocke são relegados a pouquíssimo tempo de cena, soando desnecessária a utilização de figuras tão famosas dos quadrinhos. Outro erro do roteiro é apostar numa destruição em massa do planeta para nos fazer torcer por nossos heróis e pela humanidade, uma abordagem furada, já que o filme anterior revelava todos os mutantes bem e felizes no futuro, tirando qualquer intenção do espectador de torcer pelos X-men já que esperamos que seu plano funcione de qualquer forma.
“X-Men Apocalipse” se torna anacrônico por fazer uma abordagem saturada de fim de mundo num contexto de filmes de super herói que cada vez mais se concentram no micro (pensem no “Homem- Formiga”, “Guardiões da Galáxia” e até mesmo o último “Guerra Civil”), se beneficiando por ser uma obra mais coesa e divertida que “Batman Vs Super Man”, mas muito inferior ao ultimo do Capitão América. Em um determinado momento da projeção, certos personagem discutem qual episódio de Star Wars é o melhor, chegando a conclusão que sempre o terceiro filme de uma saga é o pior, um comentário divertido sobre o muito criticado “X-men: O Confronto Final” e totalmente irônico quanto a este “Apocalipse”.

Observação: O filme possui uma cena pós créditos.






Bom
Por Han Solo

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