quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O porquê amamos cinema: "De Volta Para o Futuro"


Por André Arruda Nascimento

       Durante boa parte da minha vida meu relacionamento com a música e com o cinema se desenvolveu de forma paralela. Embora eu sempre nutrisse profundo amor por ambas as artes, poucos momentos me fizeram relacionar diretamente o meu sentimento pelas duas. Claro, cinebiografias, documentários e musicais estão sempre aí para garantir relações intensas entre a música, cinema e o espectador, mas aquele sentimento direto que simplesmente entra em nossa mente e deixa marcada para sempre aquele momento com uma cena e a música unidas como um todo é raro.

        Canto That Thing You Do! e me sinto  parte dos Wonders (ou Oneders, como preferir), canto Tiny Dancer com todos os integrantes do Steelwater no ônibus e me sinto parte daquele momento mágico de reunião, mas acima de tudo, até hoje se ouço Johnny B. Good, não penso em Chuck Berry (calma, não me odeie) mas penso em Marty McFly.
       Hoje, 21 de outubro de 2015, se tornou obrigatório falar de “De Volta Para o Futuro”. Porém, enquanto tantos apontaram as diferenças e semelhanças entre o “presente” proposto pelo filme e o presente que vivemos, só consegui pensar na relação intima que possuo com o clássico de 85. Tive a oportunidade de ver o primeiro filme no cinema, uma experiência fantástica numa sessão lotada, e ainda assim a cena que mais me impactou não foi o grandioso terceiro ato, mas sim o show de Mcfly no baile.
         Automaticamente aquele momento genial me remeteu ao momento que ganhei minha primeira guitarra, quando aprendi minha primeira música, quando escrevi minha primeira canção e não mostrei pra ninguém por medo de ser julgado (sim, a insegurança de um Mcfly) e me lembrei de ver essa cena pela primeira vez e praticar incessantemente a abertura da música. Sim, uma música sensacional, mas que ganha outros contornos quando a toco: não sou mais eu, não sou Chuck Berry, sou Marty Mcfly e sempre que termino a música me imagino dizendo “Acho que vocês não estão prontos para isso, mas seus filhos vão adorar!”
Eis um dos porquês eu amo o cinema! 

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