sábado, 23 de julho de 2016

Crítica: "A Incrível Jornada de Jacqueline"

A Incrível Jornada de Jacqueline
(La Vache)
Data de Estreia no Brasil: 28/07/2016
Direção: Mohamed Hamidi
Distribuição: Paris Filmes


         Sim, a premissa de "A Incrível Jornada de Jacqueline" é exatamente o que o poster indica: a história de um homem e sua vaca. Fatah, protagonista do filme, é um camponês de um pequeno vilarejo na Argélia. Em mais um dia de sua rotina de cuidar da plantação de sua família e vender o que produzem no mercado local, Fatah recebe uma surpreendente carta do comitê organizador de uma feira de agricultura na França informando-o de que sua vaca Jacqueline foi convidada a participar do concurso. Junto com o convite, é concedido a Fatah a documentação necessária para que ele e Jacqueline possam adentrar o território francês. Fatah consegue o dinheiro necessário somente para a passagem, então desembarca em Marselha e inicia sua jornada para chegar até Paris. A pé. Com sua vaca.

           De forma muito semelhante ao clássico "Borat", "Jacqueline" é uma comédia do absurdo. A maior parte do humor presente no filme é extraído a partir das claras diferenças culturais entre o camponês Fatah e os personagens franceses que aparecem no filme. No entanto, a outra grande parte dos momentos engraçados presentes no filme se dão praticamente como uma decorrência natural da situação absurda proposta pela premissa. Conforme a narrativa se desenvolve, "Jacqueline" torna-se um road movie, colocando obstáculos e situações constrangedoras a frente de Fatah e de sua companheira de viagem.
           O roteiro de "A Incrível Jornada de Jacqueline" sabe desenvolver bem o que é proposto pelo absurdo argumento, rendendo ao longo do filme vários momentos de genuína comédia. Porém, o filme sabe utilizar também uma série de personagens secundários para não abusar na exploração do elemento cômico trazido por Jacqueline. Nesse sentido, o filme constrói uma dinâmica muito interessante entre Fatah e os demais personagens, tanto seus amigos e sua família que ficaram na Argélia quanto com seu cunhado Hassan e Philippe, personagens que encontra ao longo de sua jornada. A façanha de "Jacqueline" é conseguir fazer com que estes transponham a mera função de caricaturas e instrumentos que movem a trama. As boas performances dos atores e atrizes envolvidos no projeto faz com que seus personagens pareçam verdadeiros, mesmo diante de situações tão bizarras.
          O principal problema de "Jacqueline" é que, apesar de conter uma premissa e algumas situações muito memoráveis, o filme nunca chega a ser excepcional. Seu humor não é tão engraçado quanto o de "Borat" e os temas mais "pesados" que o filme aborda não chegam a constituir algo muito complexo e relevante. "Jacqueline" perde a oportunidade de traçar um comentário maior sobre a situação da Argélia como ex-colônia da França, e quando o faz acaba sendo pouco simplista. Um tom mais sarcástico ao explorar as diferenças e barreiras entre as duas culturas seria algo muito bem-vindo.
             O aspecto visual de "Jacqueline" é bastante interessante, uma vez que a direção de Mohamed Hamidi e a fotografia do filme sabem utilizar muito bem os ambientes naturais pelos quais a narrativa leva Fatah a passar, estabelecendo um interessante contraste entre o ambiente árido argelino e o ambiente francês, mais urbano e iluminado nas cidades e mais verdes nos campos. Gosto muito também da maneira muito inteligente que os produtores encontram para "narrar" o percurso de Fatah, através das aulas de francês que as crianças tem no vilarejo. Porém, de maneira geral, "A Incrível Jornada de Jacqueline" não consegue ser muito mais do que o óbvio: um filme simpático e simples, um bom entretenimento cômico de 90 minutos de duração.







Bom

Por Obi-Wan

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